Exposição no MAM
Assim como um beauty artist cria looks para os diferentes momentos da vida, um fotógrafo produz cenas que reinventam o cotidiano. A exposição "Olhar e fingir: fotografias da coleção Auer", conta através de 290 peças do acervo particular do casal franco-suíço Michel e Michèle Auer, a história da fotografia. Em entrevista ao Portal da Maquiagem, um dos curadores, o jornalista e fotógrafo, Eder Chiodetto, fala mais sobre a mostra.
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Foto 1:anônimo, japanese girl, c. 1880; Foto 2:Louis Amédée Mante & Edmond Goldschmidt, sem título, 1898.
Portal da Maquiagem - Por que o nome "Olhar e Fingir"?
Eder Chiodetto - A palavra fingir vem de ficção. As fotografias da exposição não são documentais, mas sim uma representação de um mundo inventado. Não é uma fotografia que atesta a existência, como normalmente acontece, mas que cria um mundo paralelo. Elas retratam a realidade interior do artista e não a do mundo. Isso justamente dá a dimensão interior da fotografia e do olhar também. Quando duas pessoas olham a mesma coisa, elas interpretam de formas diferentes, ou seja, o olhar é apenas o primeiro passo para o entendimento. O fingir dá a dimensão ficcional que está embutida no olhar. Por isso, demos esse título.
Portal da Maquiagem - A exposição está dividida em quatro módulos. Por quê?
Eder Chiodetto - Para facilitar a compreensão das pessoas, nós pegamos quatro tópicos da história da fotografia. Assim, a mostra fica mais didática.
Portal da Maquiagem - Quem é o casal Michel e Michèle Auer?
Eder Chiodetto - É um casal franco-suíço que se conheceu há 40 anos. O gosto por coleções os levou a juntar suas vidas e as fotografias também.
PM - Como surgiu a idéia de realizar essa exposição?
EC - Em virtude do ano da França no Brasil, a historiadora francesa Elise Jasmim, sugeriu a mostra, já que o MAM previa trabalhos em parceria entre brasileiros e franceses. Então, o museu pediu que eu fizesse a curadoria pelo lado brasileiro e ela pelo lado francês da exposição.
PM - Você acha que esse tipo de evento acaba estimulando e apurando o olhar das pessoas (elas passam a enxergar as coisas por outras perspectivas)?
EC - Certamente porque você vê ali uma grande aventura do olhar. A fotografia pode estar num viés mais ficcional para mostrar nosso interior, falar dos nossos sonhos, dos nossos temores. É bem parecido quando você assiste a um bom filme e sai do cinema de alma lavada ou questionando seus valores. Acho que a fotografia tem essa pegada no ramo das artes. Ela consegue tocar bastante as pessoas.
PM - Para você, que é fotógrafo, o que é a arte de fotografar?
EC - É a arte de duvidar da preponderância do olhar. Eu não acredito nela como algo impositivo, querendo afirmar o real até por que a realidade num certo sentido não existe. Ela só aparece a partir do momento que a interpretamos. A fotografia tem essa função de nos fazer perceber mundos paralelos.
PM - Você acha que a fotografia sempre mostra a beleza de alguma coisa?
EC - Nem sempre. Ela pode também mostrar coisas muito feias, que é a função do fotojornalismo de denunciar os problemas da sociedade, por exemplo. No campo das artes, muitas vezes ela não revela a beleza, mas o conceito das coisas.
A mostra ficará no MAM de 23 de abril a 28 de junho de 2009.
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3
Contato: tel. (11) 5085-1300
Horários: Terça a domingo e feriados, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h).
Ingresso: R$ 5,50
Mais informações: www.mam.org.br
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